Além do Cidadão Kane

terça-feira, 31 de março de 2009

A China e os veículos de comunicação internacionais

Da reflexão publicada publicada em nossa imprensa, na segunda-feira, 30, intitulada: "China, a futura grande potência", a maioria das notícias internacionais informaram somente o que se referia a minhas críticas às declarações de Biden, em Viña del Mar. Apenas EFE dedicou umas linhas, ao final do seu despacho, ao tema principal do artigo. Reconhecer o crescente papel da China na economia mundial é um trago amargo para o Ocidente.

A grande imprensa, todavia, segue falando do pujante poder econômico da China. No dia 29 passado, a agência de otícias DPA expressava que "A China pegou os Estados Unidos de surpresa com sua ousada proposta de substituir o dólar como principal divisa internacional por uma nova 'supermoeda'".

A continuação informa que a China luta contra o poder dominante dos Estados Unidos no sistema financeiro mundial e ecoa as opiniões do Banco Central chinês, que considera a crise e o seu impacto em todo o mundo um reflexo da fraqueza interna e dos riscos inerentes ao sistema monetário internacional que seu país deseja mudar, com a nova moeda de reserva. Alude, a favor de sua tese, que o famoso economista britânico, John Mayanard, já havia proposto, nos anos 40, uma moeda global.

Assinala na mesma notícia que "A China aspira obter um posto de Diretor no FMI, um organizmo até agora dominado pelos Estados Unidos e que, segundo previsões do G-20, deve assumir os sistemas financeiros nacionais".

"Como o maior dos países emergentes, a China exige mais influência para os Estados pobres, especialmente golpeados pela crise".

Reitera, em sua argumentação, o conhecido fato de que a China, com um montante de 740 bilhões de dólares em títulos do Tesouro Norte-Americano, é o principal credor dos Estados Unidos.

Não se pode esquecer que a Alemanha, sede do escritório central da DPA, está preocupada com o ruinoso papel que a política econômica dos Estados Unidos exerce sobre a Europa. A Alemanha é, na atualidade, o país industrializado que exporta o mais alto percentual de seu Produto Interno Bruto. A crise econômica lhe afeta mais que a nenhum outro.

A opinião pública mundial tem o dever e o direito de conhecer mais sobre os problemas econômicos de uma crise que golpeia hoje todos os povos do mundo.







.....Fidel Castro Ruz

.....30 de março de 2009

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Protesto contra crise e demissões leva 20 mil às ruas de SP

Sob a liderança das centrais sindicais, uma marcha com 20 mil pessoas tomou as ruas de São Paulo, nesta segunda-feira (30) — Dia de Mobilização e Luta em Defesa do Emprego e dos Direitos Sociais. Diante de uma crise que, até o momento, penaliza sobretudo os trabalhadores, a manifestação foi marcada por protestos em frente às sedes de instituições como a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e o Banco Central — ambos na Avenida Paulista.
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Unidade foi chave para o protesto com 20 mil em SP
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Para Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o que mais surpreendeu na mobilização foi a quantidade de pessoas e de entidades. “A necessidade de reagir à crise se tornou um catalisador para a unidade dos movimentos. Demonstramos hoje que, caso persistam as demissões e os ataques aos direitos dos trabalhadores, temos condições de tomar medidas mais ofensivas”, declarou.

Além das oito centrais do país (CUT, Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central, CGTB, Conlutas e InterSindical), o ato foi promovido por entidades estudantis e comunitários, de sem-terra e sem-teto, jovens e mulheres, entre outros segmentos. Partidos políticos — com destaque para PCdoB, PSTU, Psol, PT e PDT — também marcaram presença.

“As centrais e os movimentos sociais estão unidos contra as demissões, pela redução dos juros e pelo crescimento econômico com geração de renda e emprego. A manifestação, aqui e no Brasil, está bombando”, resumiu o presidente da CUT, Artur Henrique, em referência à realização, também nesta segunda-feira, de outros atos unificados pelo Brasil. Somente nesta sexta-feira, cerca de 90 mil pessoas protestaram em todas as capitais do país.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, elogiou o anúncio da medida que prorrogou, na manhã desta segunda-feira, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para as montadoras. “Desta vez, o governo atendeu à luta das centrais e decidiu conceder o benefício apenas para empresas que não demitirem. É preciso manter essa orientação de pôr dinheiro na produção, não na especulação.”

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), frisou “a unidade e a maturidade” das centrais. “Esse ato terá uma repercussão emblemática”, previu. Membro da coordenação nacional da Conlutas (ligada ao PSTU), José Maria de Almeida, o Zé Maria, saudou “o começo de um processo de mobilizações” — que, segundo ele, “deve chegar agora às portas do Congresso e do governo federal”.

Próximas manifestações

“Vamos continuar pressionando para que o Estado garanta os direitos sociais e os investimentos nos serviços públicos”, declarou João Paulo, da coordenação nacional do MST. “A crise não é dos trabalhadores — e o povo brasileiro não pode pagar pela quebra do capitalismo.”

Já as entidades estudantis acusaram os efeitos da crise na educação. “Muitas faculdades privadas aumentaram as mensalidades e demitiram professores. Nas universidades públicas, vemos constantes ameaças de cortes de verbas e a redução dos salários dos docentes”, denuncia a presidente da UNE, Lúcia Stumpf. “Em 15 de abril, voltaremos às ruas contra o corte nos investimentos na educação, pelo fim do vestibular e pela reserva de vagas nas universidades públicas para estudantes de escolas públicas”, anunciou Ismael Cardoso, presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes).

À luta contra as demissões e pela redução dos juros, o ato acrescentou bandeiras como “redução da jornada sem redução de salários e direitos”, “reforma agrária, já”, “por saúde, educação e moradia”, “em defesa dos serviços e servidores públicos” e “solidariedade ao povo palestino”.

André Cintra e Carla Santos

Veja também:
- Mais de 20 fotos revelam ato dos 20 mil contra crise em SP
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Original em Vermelho

Diariamente aumenta o número de famílias que se vêm obrigadas a viver acampadas nos EE.UU.

Em poucos meses passaram de proprietários de casas a moradores de acampamentos. São as vítimas diretas do capitalismo, trabalhadores que inclusive já haviam atingido a classe média. Agora, os governadores dos diferentes Estados temem que a necessidade aumente e que se produza uma verdadeira avalanche de famílias em busca de um lugar onde acampar.
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Agencias/ inSurGente
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Tom, um estadunidense de 50 anos, ligou outro dia uma emissora de radio para contar a historia de como se vive em um acampamento improvisado de barracas de campanha junto a um rio em Sacramento. Jamais havia passado algo assim, mas esta crise maiúscula lhe deixou sem casa nem trabalho. O pior de tudo, contava com resignação, é que ninguém quer contratá-lo porque não pode dar um endereço quando sai em busca de trabalho. "Ninguém quer contratar-me porque não tenho endereço, ainda que tenha casa", dizia na radio pública da Califórnia.
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Essa casa a buscou faz algumas semanas, quando teve que abandonar a de toda a vida por não poder seguir pagando-a. Agora dorme em uma barraca de campanha junto a outros como ele, estadunidenses de classe media sacudidos por uma recessão que está destroçando o estilo de vida de um país acostumado a que, as penúrias, as passassem os outros.
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Seguramente a historia de Tom pode ver a luz porque o programa de Oprah Winfrey se fixou no acampamento de Sacramento, o centro de um drama que pôs aparência humana a uma crise que até agora parecia afetar só aos executivos de Wall Street. Parece que o acampamento da capital do Estado mais próspero dos EEUU se pôs na moda, e até o próprio 'Governator' - como chamam ao governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger— teve que agir para tirar dali as 150 pessoas que haviam convertido o descampado em seu lar.
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Nesta quarta-feira, fruto da pressão dos meios de comunicação, o governador junto com o prefeito de Sacramento, o ex jogador da NBA Kevin Johnson, asseguraram que o célebre acampamento junto ao rio Americano será fechado e transferido a um lugar digno. O movimento é uma tentativa de Schwarzenegger de dar aos desamparados pela crise um "abrigo fechado, cobertura médica e comida quente”. O próprio presidente estadunidense, Barack Obama, teve que responder às perguntas dos jornalistas a respeito na Casa Branca. "Não é aceitável que haja crianças e famílias sem um teto em um país tão rico como o nosso", assinalou o mandatário.
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Expansão pela costa oeste
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Sacramento é o ponto nevrálgico da decadência de um império que até agora não havia tido rupturas financeiras. Mas não é o único, já que a proliferação desses acampamentos alcançou as duas costas, com cidades como Fresno, Nashville, Olympia (Washington) ou Seattle com invasões similares. Nesta última, ironicamente a residência do homem mais rico do mundo, o filantropo Bill Gates, se instalaram umas 100 pessoas em terra de ninguém e já chamam Nickelsville, uma homenagem ao prefeito de Seattle, Greg Nickels.
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Em Fresno, capital agrícola de Califórnia, os acampamentos para desamparados eram coisa habitual pelos altos e baixos do trabalho no campo, mas com a crise em pleno auge as barracas de campanha floresceram. Segundo as autoridades da cidade de meio milhão de habitantes, já há três grandes assentamentos de 'sem teto' próximos do centro, e outros dois em estradas vicinais.
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Além da vergonha para seus habitantes, existe o problema adicional da prostituição e a venda de drogas que estão gerando os acampamentos, um fator quase inerente à situação de desespero na qual vivem milhares destes ‘novos pobres’. Alguns já estavam acostumados à miséria, como milhares de mexicanos que viajaram até Fresno com a esperança de encontrar trabalho no campo. Agora vivem amontoados com aqueles com os quais pretendiam competir, donos de casas nos subúrbios com sua garagem e sua cesta de basquete presa na fachada. Esse sonho americano dorme agora em uma barraca de campanha.
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Tradução Rosalvo Maciel

segunda-feira, 30 de março de 2009

Dez milhões de crianças desnutridas por aumento de preços de alimentos

Cerca de 400 mil menores morreriam até o final do ano

A crise econômica internacional provocou desnutrição a mais de dez milhões de crianças, devido ao aumento global nos preços dos alimentos e pode causar a morte de até 400 mil delas até o final do ano, sustentou em 28 de março num relatório o grupo britânico Save the Children (Salvem as crianças), citado pela ANSA.

O organismo não-governamental com sede em Londres advertiu aos chefes de Estado e governantes do G-20, que se reunirão em 2 de abril numa cúpula mundial, que devem resolver o problema da crescente pobreza mundial "no menor tempo possível".
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Segundo o grupo, milhões de crianças estão em perigo de fome devido ao impacto da recessão mundial, especialmente nos países em desenvolvimento, combinado com o contínuo aumento dos preços dos alimentos.

"Cerca de 3,5 milhões de crianças morrem por ano devido à desnutrição. A crise econômica internacional poderia matar outros 2,8 milhões antes de 2015, o ano em que os líderes do G-20 tinham prometido erradicar a extrema pobreza e a fome no mundo", sublinhou a ONG.
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Requião: “Crise começou com a desnacionalização da economia”

Para o governador, saída será com investimento público, o aumento dos salários e do emprego

Aumentar maciçamente os investimentos públicos, estatizar o crédito, controlar o câmbio, aumentar a massa salarial e manter os empregos são algumas das medidas elencadas pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), para o Brasil enfrentar a crise no Brasil que, na sua opinião, começou com a desnacionalização da economia.
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As declarações do governador foram feitas na abertura do seminário “Crise – desafios e soluções na América do Sul”, realizada na tarde da última quarta-feira, no Espaço das Américas, em Foz do Iguaçu.
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As propostas citadas por ele são fruto do Seminário realizado no final do ano passado para debater a origem da crise econômica internacional. “A primeira proposta extraída do seminário de Curitiba é que não se aceite a redução dos salários. A valorização dos salários precisa ser uma política definitiva”, assinalou o governador.
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“Neste momento precisamos de investimentos públicos maciços, para compensar a falta de investimentos da iniciativa privada, amedrontada com a crise. O presidente Lula está no caminho certo com o PAC e com o anúncio da construção de 1 milhão de casas populares em todo o Brasil. Isso mobiliza a construção civil, que depois da panificação é o setor que mais gera empregos”, afirmou o governador. Mas, ainda “precisamos de medidas duras.
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O governador teceu duras críticas ao atual sistema financeiro internacional. Segundo ele, o sistema baseado no dólar financiou desestatizações, garantiu os lucros das multinacionais e congelou os salários dos trabalhadores durante anos. “Os EUA, fortalecidos no período pós-guerra, passou a comandar todo o processo de desenvolvimento do mundo e a tese liberal de que a mão invisível do mercado supriria todas as necessidades de emprego, desenvolvimento e crescimento econômico” reinou.
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No Brasil, avaliou, “a crise começou quando o presidente que havia escrito um livro sobre a teoria da dependência assumiu o comando do País”. Exatamente a mesma tese liberal. “Eles propunham a vinculação com a economia global, leia-se a economia norte-americana, como instrumento de desenvolvimento econômico. Aquilo que nós não mais podíamos fazer seria realizado através da entrega da nossa economia, da desnacionalização do País, oferecido a grupos estrangeiros. Aí teve início um grande processo de desnacionalização de empresas públicas e a entrada do capital estrangeiro se deu em uma intensidade indesejada”.
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De acordo com Requião, o aprofundamento da desnacionalização da nossa economia após o governo FHC limitou a capacidade do Brasil de reagir e trouxe grandes problemas para o Brasil.
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DEBATES
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“Nós descobrimos que aqueles que falavam na autonomia dos bancos centrais nunca nos disseram que o banco central norte americano nada mais é que um banco fundado contra a pátria. A contradição vale o espírito nacional e solidário, vale a pampazia tola do mercado que desmoronou na crise que vivemos. É desta forma que a partir de amanha estaremos abrindo os debates”, completou.
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Com a presença de representantes do Paraguai e da Venezuela, o governador salientou que é necessária uma maior integração dos países da América Latina para superar os efeitos da crise. “A desvinculação da América do Sul em relação ao dólar é uma dessas propostas que poderão ser discutidas neste seminário de Foz”, disse Requião.
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Original em Hora do Povo

domingo, 29 de março de 2009

A máfia da mídia (SIP) condena Lula

Altamiro Borges
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A SIP teme as mudanças políticas na America Latina. "Agora são os governos que não só estão abusando da imprensa, como estão atiçando as chamas do ódio". Para justificar a inclusão de Lula na lista, o documento menciona a tentativa do governo de criar, em 2004, o Conselho Federal de Jornalismo, e as críticas do presidente às manipulações da mídia — como na recente entrevista à revista Piauí, no qual afirmou "que a leitura dos jornais lhe causa azia".
A maior preocupação da SIP, entretanto, é com a convocação da Conferência Nacional de Comunicações para dezembro. Ela teme que este processo prejudique a "liberdade de imprensa" e já pressiona o governo para limitar este debate democrático e estratégico na sociedade.

Instrumento do imperialismo ianque
A SIP realmente não gosta da democracia. Ela reúne os barões da mídia que apoiaram os golpes militares no continente e sustentaram as ditaduras sanguinárias. No auge do neoliberalismo, eles prosperaram com os subsídios públicos e na orgia do "livre mercado". Agora, estão desesperados com as vitórias de governantes progressistas na América Latina e com o debate destravado sobre a democratização das comunicações. A SIP é a fachada desta máfia midiática. Não tem qualquer moral para falar em "liberdade de imprensa", que ela confunde com liberdade dos monopólios.
Sediada em Miami, ela defende os interesses das corporações capitalistas, dissemina as políticas imperialistas dos EUA e agrega os setores mais reacionários da mídia. A SIP se apresenta como "independente" dos governos, mas seu presidente é primo do ministro da Defesa e irmão do vice-presidente da Colômbia. No seu relatório anterior, ela teve a caradura de elogiar os "avanços" na relação do governo narcoterrorista de Álvaro Uribe com a imprensa, sendo que a Colômbia é um dos recordistas mundiais em assassinatos de jornalistas e sindicalistas.

Jules Dubois, o homem da CIA
Num acalentado estudo, intitulado "Os amos da SIP", o jornalista Yaifred Ron faz um histórico assustador desta entidade. Conforme comprova, "a Sociedade Interamericana de Imprensa é um cartel dos grandes donos de meios de comunicação do continente, que nasceu nos marcos da II Guerra Mundial e se moldou no calor da Guerra Fria para protagonizar uma história de defesa dos interesses oligopólicos, de aliança com os poderes imperiais e de atentados contra a soberania dos povos latino-americanos". Com base em inúmeros documentos, ela demonstra que a entidade tem sólidos e antigos vínculos com a central de "inteligência" dos EUA, a temida CIA.
Ela foi fundada em 1943 numa conferência em Havana, durante a ditadura de Fulgencio Batista. Num primeiro momento, devido à aliança contra o nazi-fascimo, ela ainda reuniu alguns veículos progressistas. Mas isto durou pouco tempo. Com a onda marcatista nos EUA e a guerra fria, ela foi tomada de assalto pela CIA. Em 1950, na quinta conferência, em Quito, dois funcionários da agência ianque, Joshua Powers e Jules Dubois, passam a comandar na entidade. Dubois será seu coordenador durante 15 anos e teve seu nome registrado no edifício da entidade em Miami.

Desestabilizar governos progressistas
A SIP se torna um instrumento da CIA para desestabilizar os governos progressistas da América Latina. Para isso, os estatutos foram adulterados, garantindo maioria às publicações empresariais dos EUA; a sede foi deslocada para Miami; e as vozes críticas foram alijadas. "Em resumo, eles destruíram a SIP como entidade independente, transformado-a num aparato político a serviço dos objetivos internacionais dos EUA", afirma Yaifred. Na década de 50, ela fez raivosa oposição ao governo nacionalista de Juan Perón e elegeu o ditador nicaragüense Anastácio Somoza como "o anjo tutelar da liberdade de pensamento". Nos anos 60, seu alvo foi a revolução cubana; nos anos 70, ela bombardeou o governo de Salvador Allende, preparando o clima para o golpe no Chile.
"A ligação dos donos da grande imprensa com os regimes ditatoriais latino-americanos tem sido suficientemente documentada e citada em várias ocasiões para demonstrar que as preocupações da SIP não se dirigem a defesa da liberdade, mas sim à preservação dos interesses empresariais e oligárquicos". Na fase mais recente, a SIP foi cúmplice do golpe midiático na Venezuela, em abril de 2002, difundido todas as mentiras contra o governo democrático de Hugo Chávez. Este não vacilou e considerou seus representantes como personas non gratas no país. Ela também tem feito ataques sistemáticos aos governos de Evo Morales, Rafael Correa e Cristina Kirchner.

Medo da conferência no Brasil
Atualmente, o maior temor da SIP decorre das mudanças legislativas que objetivam democratizar os meios de comunicação na América Latina. Qualquer iniciativa que vise regulamentar o setor e diminuir o poder dos monopólios é taxada de "atentado à liberdade de imprensa". Como informa Yaifred, "para frear qualquer ação governamental que favoreça a democratização da mídia, a SIP se uniu a outra entidade patronal regional, a Associação Interamericana de Radiodifusão (AIR)".
Ambas declararam guerra as mudanças legislativas em curso na Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina. Daí o medo da realização da Conferência Nacional de Comunicação no Brasil e os ataques descabidos ao presidente Lula, que até é bastante conciliador com os barões da mídia.

* Altamiro Borges é jornalista e secretário de Comunicação do PCdoB
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Original em Pátria Latina

Como Bento XVI aprofunda a decadência da Igreja Católica

Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, visitou a África de 17 a 23 de março como quem faz questão de ressaltar sua indiferença para com a realidade social e seu descompasso com o mundo laico. Isso depois de forçado ao mea-culpa duas vezes, em rápida sucessão — uma ao admitir estar mal informado ao reabilitar bispos lefebvrianos afins ao negacionismo neonazista no próprio dia internacional em memória das vítimas do Holocausto, outra ao anular a nomeação de um bispo austríaco rejeitado por pares e vigários.

Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa, na CartaCapital
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No único continente onde o catolicismo cresce de maneira significativa, Camarões e Angola são países com grande proporção de católicos. Perdido o contato com os costumes e relações sociais nas quais se baseavam seus cultos tradicionais, as populações que o êxodo rural arrancou de suas raízes tribais e jogou nas favelas procuram comunidades religiosas mais adaptadas a uma cultura urbana parcialmente ocidentalizada. A Igreja Católica continua a se beneficiar dessa desestruturação, embora seja crescente a concorrência do Islã, das igrejas evangélicas e de novos cultos sincréticos africanos.

O papa pareceu, porém, decidido a mostrar aos convertidos reais ou potenciais que o catolicismo não atenderá às necessidades sociais e espirituais da África moderna. Ainda no avião, condenou os preservativos em uma região que registra mais de 70% dos óbitos por aids no mundo, onde 20 milhões já morreram e outra vida é perdida para a doença a cada 15 segundos.

Caso se limitasse a objeções teológicas, pouco haveria a dizer. Mas Ratzinger contrariou a ciência e o bom senso, insistindo em que a distribuição de preservativos agrava a epidemia. Ministros europeus, inclusive de países católicos, tomaram a iniciativa incomum de censurar o papa. O chanceler francês o acusou de “pôr em perigo a política de saúde pública em relação à proteção da vida humana”. A ministra da Saúde belga chamou sua posição de “perigosamente doutrinária”. Os ministros do Desenvolvimento e da Saúde alemães condenaram a afirmação do compatriota como “irresponsável”.

Não foi a única mostra de insensibilidade, desinformação ou ambas as coisas por parte do papa. Enquanto ele se preparava para falar de solidariedade e condenar a ganância, a violência e a corrupção, a Igreja fechava os olhos aos preparativos do corrupto e violento governo camaronês para a visita. Incluíram demolir com escavadeiras todas as casas e lojinhas que prejudicassem esteticamente o caminho entre o aeroporto e o centro da capital, Yaundé, sem perguntar como seus donos iriam trabalhar, dormir e comer nos dias seguintes.

Ali, o papa proclamou que “a África está em perigo devido a imorais sem escrúpulos que tentam impor o reino do dinheiro desprezando os mais miseráveis”, antes de viajar para Angola. O governo desse país empobrecido e devastado por décadas de guerra civil também fez gastos milionários para receber o pontífice. Além disso, em Luanda, a Igreja organizou dois jantares de gala a US$ 500 por cabeça, arrecadando cerca de US$ 270 mil para receber “mais dignamente” a passagem do pontífice.

Os responsáveis pelos caros e cuidadosos preparativos, que incluíram a mobilização de 12 mil policiais para cuidar da segurança do papa e de sua comitiva, não deram igual peso à segurança dos humildes. Na confusa abertura dos portões do Estádio Municipal dos Coqueiros, em Luanda, onde o papa encontraria a juventude angolana, um tumulto matou duas moças por esmagamento e mandou 89 jovens a hospitais.

Alheio ao drama, o papa assistiu à coreografia dos jovens que conseguiram entrar e os convidou a não ter medo de ousar “decisões irreversíveis” do casamento da ordenação sacerdotal. Só no dia seguinte, quando o desastre — ignorado pela cobertura oficial — foi divulgado na imprensa internacional, a Igreja e o governo angolano enviaram representantes ao hospital para visitar os feridos e levar seus pêsames à família de uma das mortas, uma catequista de 22 anos. A outra, não identificada, foi levada ao necrotério como indigente.

Trata-se de um papa muito mal informado? Em 12 de março, o papa queixou-se por carta ao episcopado da “hostilidade” com que foi recebida sua anulação da excomunhão do bispo Richard Williamson, após este negar o Holocausto, mas admitiu a má condução do caso. “Foi-me dito que consultar a informação disponível na internet teria possibilitado perceber o problema no início. Aprendi que a Santa Sé terá de prestar mais atenção a essa fonte de notícias.”

Para um não-católico, acreditar que nenhum dos secretários e assessores de Ratzinger tinha acesso a essas informações ao preparar uma decisão tão importante em relação a quatro bispos bem conhecidos é quase tão difícil quanto crer na infalibilidade papal ou na Assunção da Virgem. Principalmente tratando-se de um pontífice que liderou a Congregação para a Doutrina da Fé (sucessora da Inquisição e do Santo Ofício) e perseguiu as mais obscuras manifestações de inconformismo teológico nos cinco continentes.

Leonardo Boff, por exemplo, foi castigado com o confinamento definitivo em um convento — ao qual não se submeteu, preferindo romper com o Vaticano —, após uma palestra na Eco 92 (anterior ao Google, vale lembrar), na qual responsabilizou a Igreja pela morte de milhares de índios na América Latina.
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sábado, 28 de março de 2009

Reflexões do companheiro Fidel

A mentira a serviço do império
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O líder da Revolução desmente as notícias divulgadas pelas agências informativas Reuters e EFE que se referem a Pedro Miret e a Osmany Cienfuegos como figuras históricas destituídas por Raúl Castro
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A Reuters encabeçou ontem a lista das agências internacionais de notíicias que apresentam Pedro Miret y Osmany Cienfuegos como figuras históricas destituídas por Raúl Castro.
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A segue em ordem a EFE, que textualmente afirma: “foram destituídos como Vice-presidentes do Conselho de Ministros em 2 de março”.
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O pretexto para esta intriga, amplamente divulgada no mundo, foi a publicação na Gazeta Oficial, de 24 de março, do Decreto sobre a reestruturação do Conselho de Ministros do Governo de Cuba, aprovado dia 2 deste mês.
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Pedro Miret é um magnífico companheiro, com grandes méritos históricos a quem todos respeitamos e por quem sinto grande afeto. Faz vários anos, por razoes de saúde, não pode ocupar cargo algum. A lenta instalação de sua enfermidade deu lugar à parada progressiva de sua atividade política. Não é justo apresentá-lo como um “destituído”, sem consideração alguma.
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Osmany Cienfuegos, irmão de Camilo, realizou importantes tarefas, não só como Vice-presidente do Conselho de Ministros, como também como membro do Partido ou cumprindo instruções minhas quando era Comandante em Chefe. Foi sempre e é revolucionário. Suas funções foram cessando progressivamente, desde muito antes que eu adoecera. Já não exercia como Vice-presidente do Conselho de Ministros. O companheiro Raúl Castro, Presidente do Conselho de Estado, não tem responsabilidade alguma nisto. Tratava-se, em ambos os casos, de trâmites simplesmente legais.
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Reuters y EFE são duas das agencias ocidentais mais próximas à política imperialista dos Estados Unidos. A segunda às vezes se comporta pior, ainda que seja muito menos importante que a primeira.
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Fazendo uso de uma técnica habitual, EFE toma as palavras de Joaquín Roy, diretor do European Union Center, de Miami, para publicar em outro informe de 24 de março, o seguinte: “Se tem visto a Espanha como país chave em certas regiões do mundo de interesse para os Estados Unidos, como América Latina, e em particular, em dos países: Cuba e Venezuela”.
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De imediato EFE acrescenta: “O especialista consideróu que o maior interésse dos Estados Unidos, máis que pressionar para a abertura, as mudanças etcétera, é a estabilidade na Ilha”.
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“Desde há anos, explicou, os estudos das agencias de segurança estadunidenses não mostram Cuba como una ameaça militar, embora permaneçam atentos ao desenvolvimento de mudanças para evitar que os eventuais atritos internos possam desestabilizar a região”.
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“Aos Estados Unidos não interessa que o resultado da abertura seja uma guerra civil em Cuba”.
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“A União Européia e Espanha, segundo Roy, não tem inconveniente em trabalhar conjuntamente com os Estados Unidos, mas ‘com cautela’ para que não se dê a entender ou os acusem de Cuba, de que seguem a cartilha de Washington “.
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Mais claro nem a água: as idéias do velho império espanhol de muletas, tratando de ajudar ao corrupto, cambaleante e genocida império ianque.
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Original em Juventud Rebelde
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Traduzido por Rosalvo Maciel

Trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise

O Brasil vai às ruas na próxima segunda-feira, 30 de março. Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade estarão unidos contra a crise e as demissões, por emprego e salário, pela manutenção e ampliação de direitos, pela redução dos juros e da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e em defesa dos investimentos em políticas sociais.
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A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema capitalista, os Estados Unidos, e atinge as economias menos desenvolvidas. Lá fora - e também no Brasil -, estão sendo torrados trilhões de dólares para cobrir o rombo das multinacionais, em um poço sem fim, mas o desemprego continua se alastrando, podendo atingir mais 50 milhões de pessoas.
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No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levaram à demissão de mais de 800 mil trabalhadores nos últimos cinco meses.
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O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultante de um sistema que entra em crise periodicamente e transformou o planeta em um imenso cassino financeiro, com regras ditadas pelo "deus mercado". Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a classe trabalhadora pague a fatura em forma de demissões, redução de salários e de direitos, injeção de recursos do BNDES nas empresas que estão demitindo e criminalização dos movimentos sociais. Basta!
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A precarização, o arrocho salarial e o desemprego enfraquecem o mercado interno, deixando o país vulnerável e à mercê da crise, prejudicando fundamentalmente os mais pobres, nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada sem reduzir os salários, acelerar a reforma agrária, ampliar as políticas públicas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.
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Manifestamos nosso apoio a todos os que sofreram demissões, em particular aos 4.270 funcionários da Embraer, ressaltando que estamos na luta pela readmissão.
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O dia 30 também é simbólico, pois nesta data se lembra a defesa da terra Palestina, a solidariedade contra a política imperialista do Estado de Israel, pela soberania e auto-determinação dos povos.
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Com este espírito de unidade e luta, vamos construir em todo o país grandes mobilizações. O dia 30 de março será o primeiro passo da jornada. Some-se conosco, participe!
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NÃO ÀS DEMISSÕES!
REDUÇÃO DOS JUROS!
REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS E DIREITOS!
REFORMA AGRÁRIA, JÁ!
POR SAÚDE, EDUCAÇÃO E MORADIA!
EM DEFESA DOS SERVIÇOS E SERVIDORES PÚBLICOS!
SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO!
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Organizadores: ASSEMBLÉIA POPULAR, CEBRAPAZ, CGTB, CMB-FDIM, CMS, CONAM, CONLUTAS, CONLUTE, CTB, CUT, FORÇA SINDICAL, INTERSINDICAL, MARCHA MUNDIAL DE MULHERES, MST, MTL, MTST, NCST, OCLAE, UBES, UBM, UGT, UNE, UNEGRO/COMEN, VIA CAMPESINA
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ONU denuncia separatistas em Pando por massacre de camponeses bolivianos

Relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos na Bolívia denuncia o massacre cometido em 11 de setembro do ano passado pelos separatistas de Pando contra camponeses que se dirigiam a um encontro a ser realizado na região em defesa da unidade do país.
“O massacre de camponeses é uma grave violação aos direitos humanos que teria sido cometida por pessoal do Governo de Pando, funcionários do serviço rodoviário, membros do Comitê Cívico de Pando e outros partidários”, disse Racicot.
Segundo Racicot, “houve um ataque frontal com uso de armas letais de forma indiscriminada e unilateral, e os camponeses não tiveram outra opção do que se tentar salvar como pudessem”.
Em dezembro do ano passado, investigação realizada por representantes do Brasil, Argentina, Venezuela, Chile, Colômbia, Equador e Peru apontam governador de Pando e outros golpistas como responsáveis pelo assassinato de vinte camponeses.
“Existe responsabilidade das autoridades. A justiça boliviana deve investigar os integrantes do governo a começar pelo ex-prefeito de Pando, Leopoldo Fernández”, declarou o argentino Rodolfo Mattarollo, subsecretário de Direitos Humanos da Argentina, e coordenador da “Comissão da Verdade” constituida pela Unasul, que investigou a chacina de Pando.
No massacre de 11 de setembro foram assassinados 20 camponeses, com mais 70 feridos e uma centena de desaparecidos, como assinala o informe promovido com a participação de nove representantes de países que integram a Unasul. O coordenador qualificou os acontecimentos como “crime de lesa humanidade”.
As investigações apontam o governador de Pando, Leopoldo Fernandez, como o que comandou o bando de pistolei-ros. Ele teve sua prisão decretada pelo governo e está detido em La Paz à espera de julgamento.
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Original em Hora do Povo

Guerrilha do Araguaia

"Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil..."
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A Guerrilha do Araguaia foi uma grande epopéia de luta pela liberdade e pela democracia em nossa pátria. Ocorreu no início da década de 70. Uma batalha desigual entre combatentes revolucionários e as forças de repressão do regime reacionário imposto ao país com o golpe de 1964. Mesmo atualmente é difícil conseguir informações sobre o confronto ocorrido no Sul do Pará a partir de um ataque do Exército em 12 de abril de 1972 – "o único movimento rural armado contra o regime militar - cujo combate mobilizou o maior número de tropas brasileiras desde a II Guerra Mundial", conforme uma série de reportagens publicada por O Globo entre abril e maio de 1996.

A Guerrilha do Araguaia só foi oficialmente reconhecida mais de vinte anos depois de ocorrida, quando foram revelados extratos de um relatório militar comprovando a morte de dois guerrilheiros, Idalísio Aranha Filho e Bergson Furjão de Farias, em dezembro de 1992. O general Hugo de Abreu, que participou das operações contra os moradores do Araguaia, chegou a afirmar que essa foi a luta mais importante já realizada no meio rural.

Dos 69 militantes do Partido Comunista do Brasil que estavam na área, 59 morreram no conflito, além de moradores da região também assassinados e das baixas das Forças Armadas - as estimativas variam entre quatro e 200 (!) militares mortos. Do lado do governo, segundo O Globo, houve "casos de militares mortos no combate à Guerrilha cujos corpos foram entregues às famílias em caixões lacrados, acompanhados da explicação de que a morte ocorrera por acidente durante uma manobra de treinamento".

As Forças Armadas desencadearam três campanhas militares contra a Guerrilha. A partir da terceira campanha, os próprios militares passaram a se referir às operações que desenvolviam como "guerra suja". "Os guerrilheiros não se tornariam prisioneiros de guerra. Simplesmente deixariam de existir. Todos, com a exceção de Ângelo Arroyo, que escapou, foram mortos. São muitas as denúncias de tortura", reporta O Globo. Os oficiais do Exército avaliavam que a Guerrilha do Araguaia duraria décadas, caso não fosse combatida da forma criminosa que foi: "Mesmo os oficiais condecorados por bravura na repressão à Guerrilha evitam falar no assunto. Ao contrário dos militares que lutaram na II Guerra Mundial, que exibem com orgulho as medalhas que conquistaram na luta contra o nazifascismo, os heróis das Forças Armadas no Araguaia são discretos. Afinal, como justificar as condecorações numa guerra que, oficialmente, não houve?"

Alguns guerrilheiros, como o Osvaldão, foram decapitados. A prática de decepar a cabeça de adversários não é nova na história da repressão no Brasil. Zumbi teve a cabeça exibida em Recife, como forma de intimidar escravos que pudessem seguir seu exemplo rebelde. Tiradentes, depois de enforcado, foi esquartejado e a cabeça e os membros foram expostos aos brasileiros. Lampião e seus seguidores mais próximos igualmente tiveram as cabeças separadas dos corpos e exibidas (neste caso, ficaram expostas num museu em Alagoas).

Em 1964 implantou-se no país uma ditadura militar que se voltou raivosamente contra os brasileiros. As liberdades foram brutalmente suprimidas e a atividade política, rigorosamente controlada, limitava-se a dois partidos, a Arena e o MDB. Instaurou-se um regime de perseguição aos democratas conseqüentes. O povo brasileiro promoveu inúmeras manifestações de protestos contra a tirania que se instalara no país. Uma dessas manifestações foi a grande passeata dos cem mil, que condenava a morte do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro.

Os militares responderam a esses atos com uma brutalidade nunca vista, torturas infames, assassinatos de presos políticos nos Dops e nos DOI-Codi. As greves foram proibidas e os sindicatos interditados. Com o Ato Institucional n° 5 impôs-se um regime de terror contra o povo. É nesse ambiente que surgiu o Araguaia, organizado e dirigido na clandestinidade pelo Partido Comunista do Brasil. Destinava-se a organizar a resistência armada contra a ditadura. Outras formas de luta não tinham espaço para se concretizar nas cidades. O objetivo político da Guerrilha do Araguaia estava expresso em um documento, largamente distribuído entre a população do Sul do Pará, intitulado Proclamação da União pela Liberdade e Pelos Direitos do Povo. Um movimento intimamente ligado à população camponesa, pobre e sofrida da região. Tentativas de resistências armadas já haviam ocorrido no país, organizadas por outras correntes políticas, no Vale da Ribeira e em Caparaó. Mas duraram pouco tempo. O Araguaia resistiu por três anos.

No Araguaia encontravam-se pessoas de diferentes formações: operários, camponeses, bancários, médicos, engenheiros, geólogos e, principalmente, estudantes universitários. Dentre os que para lá se dirigiram, estava Maurício Grabois, constituinte de 1946. Tomaram conhecimento da região e estabeleceram ampla relação com a população local. Enfrentavam, porém, tremenda desigualdade no que diz respeito ao armamento, em contraste com as armas sofisticadas das Forças Armadas. Essa luta era a luta de cem contra vinte mil, Davi contra Golias.
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As Forças Armadas atuaram no Araguaia como bárbaros. Cometeram crimes imperdoáveis. Degolaram guerrilheiros, expuseram corpos mutilados nas vilas e nas cidades para atemorizar a população. Violentaram as próprias leis de guerra (a convenção de Genebra). Mataram prisioneiros indefesos. Torturaram – muitos dos torturados enlouqueceram. As Forças Armadas destruíram tudo que podia lembrar a Guerrilha. Incendiaram os barracos construídos pelos guerrilheiros. Destruíram até os móveis primitivos que eles haviam improvisado. Aplicaram a política de terra arrasada, de não deixar vivo nenhum dos combatentes. Foi assim que acabaram matando Ângelo Arroyo, um dos comandantes da guerrilha, um ano e meio depois de terminada a luta, na Chacina da Lapa, em 1976.

A Guerrilha do Araguaia é mais um elo na longa cadeia das gloriosas lutas populares do Brasil. São muitos os exemplos: Cabanagem, Guararapes, Canudos, Contestado, Revolta da Chibata, Quilombo dos Palmares, Revolução dos Alfaiates... Esses movimentos sempre enfrentaram em desvantagem o adversário poderoso e arrogante.

Nas Forças Armadas havia setores que condenavam as barbaridades cometidas – pois elas são instituição paga com o dinheiro do povo, não podem tê-lo como inimigo principal. É necessário que essas Forças repudiem tais crimes, condição para que possam contar com a simpatia do povo, preparando-se para as grandes batalhas que poderão advir em defesa da soberania e da independência da pátria.
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Original em PCdoB

Saco de gatos

José Saramago
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Os avisos não faltaram: cuidado, a União Europeia arrisca-se a ser um saco de gatos com tanto de perigoso como de ridículo. Era impossível que os velhos egoísmos nacionais, a sempiterna ambição pessoal dos políticos, a corrupção mental (pelo menos essa) que desde a primeira hora contagia qualquer intento de organização colectiva que não se reja por princípios claros de honestidade intelectual e de respeito mútuo, era impossível, repito, que este conjunto de negatividades extremas não acabasse por confrontar a União Europeia com a sua mais grotesca caricatura. Sucedeu agora com a intervenção do checo Mirek Topolanek, presidente de turno da União e, desconcertante paradoxo, demissionário do cargo de primeiro-ministro do seu país, que não só investiu contra o presidente dos Estados Unidos nos termos mais duros, acusando-o de, com o seu plano, levar a economia pelo “caminho do inferno”, ou, em versão atenuada, “do desastre”, como deixou claro por onde vão os seus sonhos e simpatias: liberalismo radical da velha escola e rejeição de qualquer medida que possa ser assimilável, ainda que superficialmente, a um intervencionismo social-democrata. O sr. Topolanek é, como se vê, uma firme esperança da humanidade.
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Por coincidência, o presidente do governo de Espanha, Rodríguez Zapatero, encontrou-se ainda há dois dias sob fogo cerrado de todo o arco da oposição parlamentar por causa, não da próxima retirada das tropas espanholas, que essa já estava decidida há mais de um ano, mas por ter faltado às normas mais elementares, não informando previamente a NATO nem a administração norte-americana. Em minha opinião, efectivamente, o governo errou. Mas a questão que se me apresenta é esta: que pensa o Parlamento Europeu fazer para deixar claro ao sr. Topolanek que ele, além de reaccionário, é grosseiro e mal-educado?
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Publicado em O Caderno de Saramago

Programa habitacional: a mão visível do Estado

Pode-se dizer que, no capitalismo, o problema do déficit habitacional é algo sem solução. É a lógica da escassez como condição para que um bem tenha um preço acima do seu valor. Essa constatação faz do programa habitacional anunciado pelo governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva uma ação política de significado ainda incalculável.

Osvaldo Bertolino
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Além dos benefícios sociais, é preciso considerar o potencial de dinamismo que o programa representa para toda a cadeia produtiva — desde produtores de materiais de construção até lojas de móveis — e para o conjunto da economia. A expectativa é de que finalmente o país passe a ter uma política habitacional — até agora o que nós tínhamos era um mosaico com medidas isoladas e paliativas.

A última vez que se fez política para a habitação no Brasil foi na década de 1960, com o Sistema Financeiro da Habitação (SFH). O impacto do pacote no combate ao déficit habitacional do país, estimado em 7,2 milhões de moradias, tem reflexo também na disponibilidade de crédito para as camadas com rendas mais baixas da população.

Mesmo com o agravamento da crise, a demanda é líquida e certa. Além de contar com prestações e juros subsidiados, o plano prevê um seguro que, no caso de famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, garante até 36 prestações. Para famílias com renda entre cinco e oito salários mínimos, a proteção será de 24 prestações e, para as famílias com renda de oito a dez salários mínimos, de 12 prestações. Os custos com documentação serão reduzidos, chegando à gratuidade para famílias com renda entre zero e três salários mínimos.

Manancial de oportunidades

Outra diferença significativa desse plano em relação aos demais é que ele não se baseia em subsídios para as construtoras — ele oferece segurança para as famílias assumirem um crédito de longo prazo. O programa mexe até com a lógica de funcionamento das construtoras ao determinar a predominância de construção de moradias para a baixa renda. Há previsões também de que com a queda da taxa básica de juros do Banco Central (BC), a Selic, o setor imobiliário se torne mais atrativo para bancos e investidores.

Pode-se dizer, portanto, que o plano do governo abriu as portas de um manancial de oportunidades e de dinamização da economia, que começa a ser efetivamente explorado. Aí é preciso considerar o papel do Estado. O governo tem dito que o plano habitacional é, acima de tudo, mais uma ação de resgate da cidadania. O que significa isso? Cidadania é uma idéia que tem raízes na antiguidade greco-latina.

Sucessão presidencial

Às portas do processo de sucessão do presidente Luis Inácio da Silva, esse debate está posto hoje no Brasil. E ele pode ser definido por uma pergunta básica: qual o tipo de Estado o país precisa? O economista Alfred Marshall tratou do assunto numa conferência que fez em Cambridge, em 1873. A pergunta sobre o tipo de Estado que queremos está na base das questões que angustiavam Marshall. Seu grande questionamento era se apesar das desigualdades de renda e de riqueza, que considerava inevitáveis, a sociedade moderna chegaria a proporcionar a todos os indivíduos uma sensação de mútuo reconhecimento como membros de uma mesma coletividade.

Conseguiria a sociedade inglesa, por exemplo, diluir os sentimentos de distância e de humilhação decorrentes da estratificação social pré-capitalista, que pareciam permanecer, sob nova roupagem, nas diferenças de classe social engendradas pela própria economia capitalista? Seria possível imaginar que um dia todo indivíduo pudesse se ver como um cavalheiro, pelo menos no sentido de não se sentir humilhado por exercer um trabalho menos qualificado e menos bem remunerado?

Evolução histórica

Outro Marshall (o Thomas) respondeu afirmativamente e de maneira abrangente às indagações do primeiro (Alfred). Seu célebre ensaio Citizenship and Social Class pode ser lido como uma ode ao desenvolvimentismo capitalista. O que ele pretende mostrar é a evolução histórica e, por meio dela, o enriquecimento e a crescente eficácia de três conjuntos de direitos: os civis, os políticos e os sociais.

Direitos civis são aqueles em que se baseiam as liberdades individuais. Direitos políticos são aqueles que conferem a cada cidadão uma parcela de influência na formação do poder político, por meio do voto e da participação em partidos e associações. E, finalmente, os direitos sociais: um mínimo de bem-estar econômico, seguridade social e a participação mais plena possível na herança cultural da sociedade.

Concreto e abstrato

No mundo dos economistas, esses conceitos são denominados como keynesianos. O ponto é: há espaços para um Estado keynesiano no Brasil atual? Todos os dias somos convidados a pensar por que o capitalismo neoliberal chegou ao fim tão precocemente. Pouco se diz, no entanto, sobre o novo sistema econômico que precisa nascer. Mas a morte do neoliberalismo não parece oferecer dúvidas.

O futuro não é um jogo de cartas marcadas, uma fotografia já revelada, imutável. O futuro, pelo contrário, se constrói no presente. São os passos que damos que vão inventando o caminho, como no provérbio. Partindo do concreto para o abstrato, é possível ver em iniciativas como a do programa habitacional do governo uma ótima oportunidade para se debater o futuro econômico e político do Brasil.

Inclusão social

Em entrevista ao Portal Vermelho no dia 18 de julho de 2005, o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Econômico e Social Brasileiro (BNDES), disse que o Estado deveria ter como prioridade a inclusão social. E uma das medidas prioritárias para isso seria um programa de habitação. “A inclusão social para o povo brasileiro é o quê? É programa de habitação, de educação, de saúde, de segurança, de justiça, de defesa...”, disse ele.

Carlos Lessa cita como pode haver um programa conjugado de educação e construção civil. “O que eu preciso para fazer, por exemplo, educação? Cimento, tijolo, telha, material hidráulico, para fazer a escola. Preciso de papel e gráfica para fazer o livro. Preciso de tecido para fazer a roupa da criança. Preciso de comida para fornecer o alimento. E preciso de muito professor”, diz ele.

Um grande país

O economista destaca que tudo isso é produzido dentro do país. “Se eu ampliar o programa de educação, eu vou gerar muito emprego para professor, para servente, para pedreiro, para pintor, para gráficos, para escritor. Se eu tiver que fazer um programa de habitação popular, eu preciso de areia, cimento, tijolo, telha, madeira, ferro... e muita mão-de-obra. Se eu fizer um grande programa social, eu dou ao povo melhor educação, melhor saúde, melhor casa, e ao mesmo tempo gero emprego em massa para os brasileiros”, afirma.

Carlos Lessa enfatiza que esse pode ser um grande país. Um imenso país. “Mas nós precisamos empurrar esses juros obscenos, indecentes, para baixo. Precisamos fazer uma política voltada para o interesse social do povo brasileiro”, enfatiza. Pode-se dizer que são medidas simples, ao alcance do governo brasileiro. Elas ganham mais relevância ainda diante dos sinais de que a crise mundial se agrava numa velocidade estonteante. O Brasil, no entanto, tem grande chances de potencializar o consumo interno e se resguardar dos efeitos mais perversos da crise.
Original em Vermelho

Iraque: uma catástrofe humanitária caída no esquecimento

Livien De Cauter, Tribunal BRussells
Fonte: uruknet Tradução de Francisca Macias


O sexto aniversário da invasão do Iraque é um triste motivo para se fazer o balanço - durante seis anos de ocupação, 1,2 milhões de cidadãos foram mortos, 2.000 professores universitários mortos, e 5.500 académicos e intelectuais assassinados ou presos. Há 4,7 milhões de refugiados: 2,7 milhões no interior do país e 2 milhões fugiram para os países vizinhos, entre os quais 20.000 médicos especialistas. Segundo a Cruz Vermelha, o Iraque é agora um país de viúvas e órfãos: dois milhões de viúvas como resultado duma guerra, dum embargo, de nova guerra com ocupação, e cinco milhões de órfãos, muitos dos quais sem lar (estimam-se em 500,000). Quase um terço das crianças iraquianas sofre de malnutrição. Cerca de 70 por cento das raparigas já não frequentam a escola. Os serviços médicos, não há muito tempo os melhores da região, paralisaram totalmente: 75 por cento dos quadros médicos abandonaram a actividade, metade dos quais fugiram do país e passados seis anos de “reconstrução” os serviços de saúde no Iraque ainda não reúnem os critérios mínimos.
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Devido às munições com urânio empobrecido utilizadas pela ocupação, o número de casos de cancro e abortos espontâneos aumentou drasticamente. Segundo um relatório recente da Oxfam Internacional a situação das mulheres é a mais aflitiva. O estudo menciona que apesar dos comunicados optimistas publicados na imprensa, a situação das mulheres continua a degradar-se. Os bens mais elementares não são acessíveis. O acesso à água potável é um problema para largos sectores da população e a electricidade só funciona três horas em cada período de seis, e isto num país que foi em tempos uma nação de engenheiros. Mais de quatro em dez iraquianos vivem abaixo do limiar da pobreza e o desemprego é imenso (28,1 por cento da população activa). Além das 26 prisões oficiais, há cerca de 600 que são secretas. Segundo a União dos Presos Políticos do Iraque, mais de 400.000 iraquianos estão detidos desde 2003, entre os quais 6.500 são menores e 10.000 mulheres. A prática da tortura é muito elevada e cerca de 87 por cento dos detidos permanecem sem acusação. Grassa a corrupção: segundo a Transparency International, o Iraque é, a seguir à Somália e Birmânia, o país mais corrupto do mundo. O jornal American Foreign Affairs chama ao Iraque “um estado falhado”. Um exemplo disto é o facto do Iraque, um estado que tem a terceira maior reserva de petróleo, importar petróleo em larga escala. O governo está pronto a concessionar petróleo durante 25 anos a companhias internacionais (incluindo europeias), embora não tenha mandato nem autoridade legal para o fazer. Em vez de lhe serem pagas indemnizações pela enorme destruição causada nas infraestruturas, que envolve o prejuízo de biliões de rendas de petróleo, o Iraque está provavelmente de novo a ser roubado. Continua em larga escala a limpeza étnica contra Turcos, Cristãos, Sírios e Shabak. Kirkuk está a ser “Curdicizada” pela imigração maciça e colonatos ilegais (de inspiração israelita) e a sua história deturpada.
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Estes dados, referidos em numerosos relatórios, foram apresentados durante uma sessão de esclarecimento no Parlamento Europeu organizada pelo Tribunal Brussells no dia 18 de Março, por um painel de especialistas iraquianos. No dia 19 de Março, houve uma sessão no Parlamento Belga onde um representante nacional, depois da declaração feita pelo Dr. Omar al-Kubaissi, um cardiologista e especialista de renome, admitiu honestamente que não fazia ideia da dimensão da catástrofe humanitária. Quem o pode acusar? Através dos media europeus ouvimos pouco ou nada quanto a esta calamidade humanitária. Nos jornais fala-se de eleições, dum ataque bombista ocasional, da situação política, dos resultados positivos da “vaga”, etc, mas quanto ao sofrimento do povo iraquiano…quase nada. Temos andado a dormir e arranjamos consolo: nos planos de Obama de retirada das tropas norte americanas; e assim, o assunto do Iraque fica de fora da agenda. A verdade é que nós queremos esquecer esta calamidade porque o Ocidente é o responsável. É certo que em primeiro e último lugar estão as administrações de Bush e de Blair, mas também a Holanda, Dinamarca, Hungria, Polónia e Itália fazem parte da coligação e são cúmplices naturais, enquanto Antuérpia foi um ponto de passagem vital para a invasão. Daí que também a Europa carrega uma responsabilidade pesada. Como é possível encobrirmos hipocritamente o impacto da guerra que ao princípio agitou a opinião pública mundial, apesar de circularem notícias revoltantes? Entretanto “Darfur” toca a alarme (e aliás justamente) duma espécie de holocausto Africano, mas os crimes contra a humanidade que roçam o “genocídio” no Iraque são varridos para debaixo do tapete. Se os meios de comunicação não fazem o seu trabalho, como pode a opinião pública ser alertada? Mesmo activistas e políticos bem intencionados não estão à altura. Este estilo de desinformação e a indiferença que a acompanha pode-se chamar uma forma de negativismo ou pelo menos uma forma de ignorância imoral.” Wir Haben es nicht gewusst”( não tivemos conhecimento disso…), diremos nós. Mas os povos dos países Árabes não nos vão perdoar. Que isto fique claro!

Lieven de Cauter, filósofo e fundador do Tribunal BRrussells
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Original em Tribunal Iraque

sexta-feira, 27 de março de 2009

Quem perde e quem ganha com a crise

Em plena recessão, as vendas no mercado brasileiro de carros de luxo, com preços acima de R$ 120 mil, das quatro marcas mais representativas — Audi, BMW, Mercedes-Benz e Volvo — cresceram 31%, nos primeiros dois meses do ano, ante o mesmo período do ano passado, de 1.115 para 1.461 unidades.
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Nos demais segmentos, a retração foi puxada pelos carros populares, cujas vendas desabaram 6,3%, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em igual período, os negócios com automóveis em geral caíram 4,5%, para 313,5 mil unidades. "É para mostrar quem está perdendo renda com a crise", salienta Marcos Arruda, economista do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs).

Arruda, que acaba de chegar de participar de debates na Malásia e na Suíça, considera que os pacotes anticrise da maioria dos países não tomam em consideração o fator chave: toda crise de crédito é uma crise de endividamento. "A solução que estão dando é canalizar recursos públicos para os bancos, para que estes financiem o consumo. Ou seja, aumentar a dívida de quem já está endividado", afirmou.

O caminho, segundo ele, seria adotar medidas de redistribuição da renda e da riqueza, como as reformas agrária e fiscal, auditoria das dívidas, entre outras, para enfrentar as raízes da crise mundial. Frisando que a má distribuição estende-se a setores como Saúde e Educação, Arruda considera "espantoso uma pessoa como o presidente Lula não estar comprometida com a redistribuição verdadeira, em vez de programas assistencialistas".

Monitor Mercantil/Vermelho

quarta-feira, 25 de março de 2009

Oscar Niemeyer: sustentar bloqueio a Cuba é 'absurdo'

O arquiteto Oscar Niemeyer, de 101 anos, aprova a arbitragem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto ao governo americano, para reverter o bloqueio econômico a Cuba. “Acho que é uma medida que está dentro do programa dele (Obama). Não há razão para ter esse embargo a Cuba”, diz Niemeyer.
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Imposto pelos Estados Unidos em 1962 e endurecido na década de 90, o bloqueio recebe condenações contínuas da Assembleia Geral das Nações Unidas. Em recente visita a Washington, onde teve o primeiro encontro com Obama, Lula criticou a permanência do bloqueio e defendeu uma nova relação de "confiança e não-ingerência" entre Estados Unidos e América Latina.

Defensor histórico do regime cubano, Niemeyer avalia que o governo de Barack Obama conta com abertura programática para buscar a reaproximação diplomática. O arquiteto considera um "absurdo" as restrições comerciais à ilha caribenha e acentua a importância do Brasil no fortalecimento político dos países latinoamericanos.

“O Brasil está ligado com os países da América Latina, para se defenderem. O Brasil está ótimo com Lula ligado ao povo e compreendendo os problemas internacionais”, afirma Niemeyer. Confrontado com as críticas à suposta ausência de democracia na ilha, governada pelo Partido Comunista há 50 anos, Niemeyer afirma que o povo cubano não vive sob uma ditadura e evoca o presidente venezuelano Hugo Chávez:

“A democracia está ótima lá (em Cuba). O povo tem o presidente que ele quer. É feito Chávez. Chávez é um guerreiro. Ele está lutando pela defesa do país dele”, rebate Niemeyer. Para um dos criadores de Brasília, a "Revolução Cubana é um exemplo para a América Latina, que deve se libertar da opressão do capitalismo."

O arquiteto não teme desvios do regime depois da troca na linha de comando, com a ascensão de Raúl Castro à presidência do Conselho de Estado, em 31 de julho de 2006. “Está tudo caminhando bem. O irmão de Fidel está de acordo com a política dele, que é a política da América Latina contra o imperialismo. Acho Fidel Castro um exemplo de luta política.”

A admiração é mútua. Em dezembro de 2007, num artigo em que cogitou aposentar-se — "meu dever elementar não é agarrar-me a cargos" —, Fidel Castro citou o arquiteto: "Penso como Niemeyer, que se deve ser consequente até o final."

O arquiteto e escultor brasileiro — que não conhece, pessoalmente, o ex-guerrilheiro Raúl Castro — apoia a abertura do diálogo com Obama. Na visita ao Brasil, em dezembro de 2008, Raúl defendeu a troca de prisioneiros com os Estados Unidos. Niemeyer confia na habilidade política do irmão de Fidel: “Ele está consciente de que a luta continua.”

As discussões diplomáticas pretendem libertar os cubanos Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González, presos na Flórida em 1998 e condenados em 2001. Chamados de “os cinco cubanos”, são tratados em seu país como heróis nacionais.
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Original em Vermelho

PCdoB comemora 87 anos com atividades em vários estados

Há 87 anos, o dia 25 de março tem um sabor especial para aqueles que batalham por uma nova sociedade. A data marca a criação do Partido Comunista do Brasil em 1922, legenda mais antiga em atividade no país e cuja trajetória de luta ao lado do povo é reconhecida nas mais variadas frentes sociais e políticas, nacionais e internacionais. Por isso, comitês e parlamentares do partido espalhados por nosso território preparam atividades e homenagens que buscam manter vivo em cada dirigente, militante e filiado o espírito revolucionário que há tantos anos alimenta a luta pelo socialismo.

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Renovado aos 87 anos, PCdoB é festejado pelo país
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Para homenagear o partido, os pernambucanos lançaram a Jornada Vermelha. A programação, com duração de um mês, é composta por uma série de atividades que tiveram início dia 18 e se estendem até o dia 18 de abril. A intenção é mobilizar as bases comunistas nos municípios, casas legislativas e movimentos sociais para uma ampla discussão sobre os novos desafios socialistas e as alternativas para a crise do capitalismo.

Além de palestra e sessão já ocorridas, acontece nesta quarta-feira, na Câmara do Recife, ato solene com a presença de parlamentares do PCdoB. Uma confraternização será realizada no mesmo dia, no Clube das Pás, a partir das 19h. Entre os participantes está o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Na ocasião, será exibido o primeiro programa partidário dos comunistas em 2009, que vai ao ar em cadeia nacional de televisão na quinta-feira. Outras inserções de 30 segundos cada estão programadas para os dias 28 e 31 de março, e 2, 4, 6, 8 10 e 13 de abril no rádio e na televisão. Na quinta-feira, 2 de abril, na sede estadual do partido, será constituído o Fórum Estadual Permanente de Mulheres do PCdoB.

Dia 7 de abril, o prefeito de Olinda, Renildo Calheiros, e o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Fernandes, discutirão no hotel Sete Colinas, em Olinda, os efeitos da crise econômica no Brasil, em especial nas administrações estaduais e municipais, e como os comunistas vêm lidando esta situação na gestão pública.

Entre os dias 14 e 16 de abril, o PCdoB-PE terá uma programação especialmente voltada para os jovens. No auditório da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) serão exibidos filmes seguidos de debate sobre a relação do cinema com a política e a história. Serão exibidos “O Encouraçado Potemkin”, seguido por debate com Manoel Rangel (Ancine) e Hugo Cortês (Fundaj); “Corações e Mentes”, com a opinião do cineasta Léo Falcão e Alanir Cardoso (presidente estadual do PCdoB); e “A Batalha de Argel”, analisada por Tarciana Portela (Ministério da Cultura) e a ex-prefeita de Olinda, Luciana Santos.

Para encerrar as comemorações dos 87 anos do PCdoB em Pernambuco, os filiados à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) promovem a palestra “A crise do capitalismo, desemprego e reflexos políticos”, com o presidente nacional da entidade, Wagner Gomes.

Alegria e criatividade

De atos feitos a partir das tribunas legislativas a confraternizações, comunistas desde o Sul até o Nordeste usaram a criatividade para mostrar seu amor pelo partido. Em Florianópolis, a homenagem ao PCdoB tem início às 19h desta quarta-feira, em sessão ordinária da Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Ricardo Vieira.

Na capital paulista, também haverá sessão na casa do legislativo municipal. O ato, marcado para o dia 26 a partir das 19h, terá a presença do presidente nacional do partido, Renato Rabelo, além de dirigentes comunistas e de outras legendas.

No Rio Grande do Norte, as homenagens começam nesta quarta-feira, dia 25, a partir das 15h, no calçadão da rua João Pessoa, centro de Natal, com apresentação cultural de poetas, músicos e artistas. A programação segue no dia 26, quinta-feira, às 18h, com a realização de sessão solene na Câmara Municipal da capital potiguar. No mesmo dia, às 20h20, será exibido – em telão montado no pátio da CMN – o programa nacional de TV e rádio do PCdoB. A festa se estende até o domingo (29) quando, a partir das 11h30, será servida feijoada comemorativa no Espaço América.

Na capital maranhense, os festejos acontecem dia 27, a partir das 18h, no Grand São Luís Hotel. Durante o evento, o partido receberá 250 novos filiados. "Nada melhor do que chegar a mais um aniversário ampliando o partido, incorporando novos camaradas que se juntam a nós e à nossa história para fazer avançar a luta do povo", comenta o secretário de Organização do PCdoB-São Luis, José Haroldão.

Para receber os novos filiados e dar os parabéns ao partido, o ato terá a visita do presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, da deputada federal por Minas Gerais, Jô Moraes e da ex-prefeita de Olinda por dois mandatos, Luciana Santos. "Será uma honra para nós recebermos esses camaradas num momento importante em que o partido se fortalece recebendo novas filiações e comemorando os seus 87 anos de luta em defesa do Brasil e do socialismo", destaca o deputado federal pelo Maranhão, Flávio Dino.

Em Goiás, os comunistas celebram o aniversário da sigla dias 25 e 26. No primeiro dia, às 10h, militantes e dirigentes agitarão a Praça Bandeirantes, centro de Goiânia, onde ocorrerá o lançamento da campanha de filiação “Venha você também para o PCdoB!”. Na quinta-feira, em virtude da exibição do programa nacional de rádio e televisão, haverá uma grande festa com a militância e amigos a partir das 19h na sede do partido (rua 229-A, 25, Praça Botafogo, Setor Universitário).

Já na Bahia, haverá sessão especial na Câmara de Salvador dia 27, sexta-feira, às 19h. De acordo com o presidente do PCdoB de Salvador, Geraldo Galindo, a expectativa é que o evento seja marcado pela amplitude que caracteriza o PCdoB. “Estamos convocando a militância para participar e convidar outras pessoas para o ato, que celebra o momento singular que o PCdoB está passando, com o aumento do quadro de prefeitos, vereadores e muitas outras lideranças”, afirmou Galindo.

Festa antecipada
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No Rio Grande do Sul, o deputado estadual Raul Carrion lançou no começo desta semana, no plenarinho da Assembleia Legislativa gaúcha, uma revista comemorativa em que é relatada a história do PCdoB desde seu surgimento e fundação, passando pela ilegalidade, reorganização e pelo fortalecimento conquistado ao longo dos anos. “A história do partido não decorre do acaso; é fruto das inúmeras lutas do povo na construção de um modelo de sociedade mais justa, democrática e soberana”, lembrou Carrion.

Na mesma ocasião, o presidente estadual do PCdoB, Adalberto Frasson, afirmou que o partido “representa a corrente que desde a década de 20 do século passado tem a clareza de que a perspectiva socialista é a melhor para o país”.

Os cariocas também anteciparam as homenagens. Na noite desta segunda-feira, 23, militantes e amigos se reuniram no plenário da Câmara para sessão comemorativa. A cerimônia foi aberta pelo vereador do PCdoB, Roberto Monteiro, e contou com uma exposição do secretário nacional de Organização, Walter Sorrentino.

A presidente estadual do PCdoB, Ana Rocha, que presidiu a cerimônia, disse que “o PCdoB comemora os 87 anos atento aos desafios do momento e começa a importante tarefa de preparar o debate sobre o 12º Congresso”. Sorrentino, por sua vez, salientou que “a crise da globalização representa a falência das reformas neoliberais das últimas décadas”. Essa situação faz com que o partido comemore mais este aniversário “em meio a uma situação desafiadora, seja no plano nacional, seja no plano internacional”.

A atual secretária municipal de Cultura do Rio, Jandira Feghali, enfatizou a importância daqueles que fazem o PCdoB nas mais diversas frentes de atuação. “Nesses 87 anos, fazemos uma homenagem aos militantes, valorizando-os seja na luta institucional ou na luta social”. E completou: “nossa cor é vermelha, nosso símbolo é a foice e o martelo e a sigla é PCdoB. Essa é nossa marca na defesa do socialismo”. A comemoração também contou com a presença do vice-prefeito do Rio, Carlos Alberto Muniz, que falou sobre a nova gestão da prefeitura e chamou o PCdoB a contribuir para superar os desafios no governo municipal.

Mas, as comemorações no Rio de Janeiro não param por aí. No dia 28, o comitê municipal prepara uma grande festa no Tabuleiro da Baiana (Rua Carlos Peixoto, 140), em Botafogo, a partir das 15hs.

No Piauí, a festa teve início na véspera do aniversário. Ato político na sede piauiense, em Teresina, demonstrou o prestígio dos comunistas no estado, com a presença de dezenas de militantes, políticos de vários partidos, representantes de entidades, jornalistas, empresários e artistas. Entre eles, o vice-governador Wilson Martins (PSB), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Temístocles Filho (PMDB), o deputado estadual Fábio Novo (PT), o deputado federal Osmar Júnior (PCdoB) e o secretário de Segurança Robert Rios, também do PCdoB.

O deputado federal Osmar Júnior, que se classificou não como um dos mais antigos membros, mas como um dos primeiros a organizar o partido, cumprimentou a todos os militantes e aliados e lembrou os três pilares que sustentam a ação do partido e que unificam a luta do povo brasileiro: “a construção de um projeto nacional, a luta pela democracia e a justa distribuição das riquezas do país”.

Robert Rios, por sua vez, declarou todo o seu orgulho na defesa da bandeira comunista. “Tenho medo de acordar e não ter motivos para levantar. E é esse partido que me dá razões para levantar todos os dias. O PCdoB é moderno, é gigante e de muito brio”.

Para saber mais sobre a programação comemorativa dos 87 anos do PCdoB em seu estado, acompanhe os cadernos estaduais do Vermelho ou entre em contato com seu comitê estadual.
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Original em Vermelho

Fome atinge 15 por cento da população mundial

"Enquanto os preços dos alimentos caíram internacionalmente, como indicado pelo índice de preços alimentares da FAO, esta ferramenta mostra que nos países em desenvolvimento não têm caído tão depressa", disse Liliana Balbi, uma economista sênior da FAO.

“A base de dados será uma fonte de informação inestimável para a política e os responsáveis pelas decisões na produção agrícola e o comércio, o desenvolvimento e igualmente o trabalho humanitário.” A FAO notou que uma ascensão nos preços dos alimentos bate mais duramente nos países mais pobres, o valor do alimento em suas despesas totais é muito mais elevada do que aquela de populações mais ricas. Quando o alimento representa aproximadamente 10-20 por cento da despesa do consumidor em nações industrializadas, pode ser tanto quanto 60-80 por cento em países em vias de desenvolvimento.

Dependendo dos fundos disponíveis, FAO planeia adicionar países novos à base de dados.

De acordo com a agência, 963 milhões de pessoas, cerca de 15 por cento da população do mundo, estão sofrendo atualmente de fome e da má nutrição.

Publicado por Pátria Latina

Trilhões para empresas, cada vez maior o desemprego

A partir do governo dos EUA, de onde surgiu toda a tragédia (é de tragédia que se trata, pois atingiu praticamente os 6 bilhões de habitantes do mundo), foi transpondo todas as fronteiras para uma contaminação que não deixa nenhuma nação imune ou inatingida. Os remédios receitados ou aplicados são inadequados, contraditórios, improdutivos.
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A primeira conclusão, e essa nefasta, é que os economistas que contribuíram para o estrondo da crise estão sendo convocados para combatê-la. Pode ser surrealista, mas não tem o mínimo de credibilidade. Tudo o que eles aconselham é que se jogue cada vez mais dinheiro no mercado.
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E isso vem sendo feito de forma pródiga, inútil, desnecessária, imprudente e até criminosa.
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Basta acompanhar o que fazem os governos dos EUA, da UE e até da Ásia, para constatar ou calcular o volume de dinheiro colocado nas mãos ou nos bolsos dos aventureiros financeiros.
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É lógico, claro e evidente que é imprescindível que haja dinheiro em circulação. Mas não adianta colocar TRILHÕES para salvar empresas, se esses TRILHÕES não criam um só emprego e destroem milhões deles, quase que diariamente. A crise, que já foi hipotecária, financeira, econômica, hoje é totalmente a crise do EMPREGO, ou melhor, do DESEMPREGO.
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Dando ou doando dinheiro às empresas, estas podem se acostumar ao hábito fácil de lucrar sem produzir. E não há regime, tenha ele o nome que tiver, que resista ao lucro sem produção e sem criação de emprego. Está no noticiário dos jornalões do mundo todo: "O governo dos EUA destinou 2 trilhões aos bancos". Ou então: "Empresas hipotecárias receberam trilhões para não irem à falência". Ainda a terceira hipótese ou realidade: "Imobiliárias recebem trilhões para não tomarem casas dos que pagavam hipotecas".
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Mas ninguém fala na criação de um emprego que seja. Também, diariamente, a comprovação de mais e mais d-e-s-e-m-p-r-e-g-o. 13 milhões nos EUA, 18 milhões na Europa, outros milhões em cada um dos mais diversos países. No tempo de Roosevelt, tão lembrado e comparado, o PLENO EMPREGO só aconteceu porque o mundo caminhava para a guerra total, o que aconteceu logo a seguir.
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Agora, até na China comunista, 18 milhões de trabalhadores, que já eram temporários (denominação tipicamente capitalista), ficaram sem o que fazer. E não recebem salários. Só patrões, empresários ou acionistas controladores faturam sem produzir. Empregados não têm essa regalia, embora sejam 18 milhões. O que mesmo na China é uma barbaridade.
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A pergunta continua sem resposta, ou melhor, é uma pergunta desdobrada em duas.
.............................................1 - Para onde vão esses TRILHÕES despejados ou desperdiçados pelos mais variados governos?
.............................................2 - De onde tiram tantos TRILHÕES para favorecerem bancos, montadoras ou empresas imobiliárias?
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Por que não utilizam o dinheiro diretamente para criar empregos? O governo Obama, disse que "estatizou com 2 TRILHÕES 36 por cento do Citibanque e do Banco da América".
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Dinheiro jogado fora, não criarão um só emprego nem devolverão os que foram perdidos.
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Menos naturalmente os Estados Unidos. Estes, a partir de Bretton Woods em 1944 (65 anos) e com o dólar transformado em moeda de troca universal, ganharam o DIREITO de imprimir moedas falsas.
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PS - Montaram máquinas de imprimir gigantescas no Estado de Omaha, guardam esse dinheiro falso no Fort Knox. Os outros países sabem que a moeda é falsa, não podem fazer nada. Até a China, Índia, Rússia, países árabes com trilhões depositados em bancos americanos têm que defender esse dólar falsificado.
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PS 2 - OU IRÃO À FALÊNCIA.
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Helio Fernandes
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Publicado em Pátria Latina

terça-feira, 24 de março de 2009

ATROCIDADES NAZI-SIONISTAS

Uma t-shirt ostentando uma palestina grávida sob uma alça de mira e a inscrição "Um tiro duas mortes". Foi a imagem escolhida por snipers (atiradores de elite) da infantaria israelense. Outras t-shirts exibem bebés mortos, mães a chorarem sobre os túmulos dos seus filhos, armas apontadas a crianças e mesquitas bombardeadas. Há uma loja em Tel Aviv especializada em imprimir as ditas t-shirts e cada pelotão escolhe a imagem que vai usar. As atrocidades praticadas pela entidade nazi-sionista já não são escondidas – são mesmo exibidas.
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Lula nas pesquisas: um crédito de confiança

As pesquisas divulgadas nesta sexta-feira (20) tiveram duas leituras. Nas manchetes, ficou o anúncio de que a aprovação do governo Lula caiu - de 70% para 65% no Datafolha, ou de 75% para 64%, na CNI-Ibope. Nos bastidores, e nas entrelinhas das colunas de opinião, emerge a perplexidade com a teimosia das avaliações ''Bom'' e ''Ótimo'', em plena crise.
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Recapitulemos: desde outubro a esperança e o salva-vidas do bloco conservador oposicionista-midiático é a crise. A ideia é que ela ponha abaixo os modestos porém palpáveis ganhos recentes do povão e de cambulhada derrube a popularidade do presidente e as chances do(a) sucessor(a).
Há um paradoxo irônico nesse esforço para pintar com as cores mais tétricas o colapso da economia capitalista global e muito especialmente suas repercussões no Brasil. Afinal, não são eles os devotos do livre mercado que hoje exibe suas pústulas? Mas há coisas que essa gente põe acima da coerência ideológica: por exemplo, salvar 2010.
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A crise de fato chegou ao Brasil, nada tem de ''marolinha'' e há motivos para crer que ainda não bateu no fundo do poço. Os cidadãos sabem disso.No Ibope, entre dezembro para março, os que acreditam numa superação ainda neste semestre diminuíram de 23% para 4%; enquanto subiram de 21% para 40% os que só veem a recuperação em 2010 ou depois. No Datafolha, desde novembro, cresceram 15 pontos (de 44% para 59%) os que esperam mais desemprego; 83% avaliaram que a crise é muito grave ou grave.
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Mas, a julgar pelas duas pesquisas, essa percepção não derrubou a avaliação do governo. Esta apenas retornou aos níveis de setembro, que foram um recorde só batido pelos de novembro-dezembro. Os dois institutos atestam uma notável persistência, com saldo de popularidade nas capitais e no interior, em todas as regiões, faixas de renda e de escolaridade.
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Quando se cruza a percepção da crise com a imagem do governo, é como se os brasileiros tivessem resolvido dar a Lula um crédito de confiança. Mas esse crédito tem seu prazo de validade, que com certeza não vai até outubro de 2010.
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Até lá, o bloco oposicionista-midiático que hoje se exaspera continuará a apostar na catástrofe, torcer para que a crise arrebente o Brasil, já que esta aparece como sua única chance. Ao passo que para o governo a contagem se inverte: desde já urge passar às mudanças capazes de fazer da crise uma oportunidade, como tem dito o presidente Lula, para que estas frutifiquem e justifiquem o crédito de que desfruta.
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Para isso o presidente terá que ajustar contas com os bolsões neoliberais encravados de longa data em seu governo e sua orientação. O mais célebre deles, a política de juros do Banco Central de Henrique Meirelles, tornou-se também o seu símbolo: a paquidérmica lentidão nos cortes recentes da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária) continua a merecer críticas, desde os trabalhadores e seus sindicatos até os setores do capital produtivo. Uma medida incisiva nessa área teria efeito real na área ainda estrangulada do crédito e um enorme sentido simbólico.
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Original em Vermelho

Marcha ao Pentágono exige o fim da ocupação do Iraque

No sexto ano da invasão do Iraque, mais de dez mil manifestantes foram às ruas de Washington no sábado, 21, pelo fim imediato da ocupação do país árabe e do Afeganistão. Além da capital, Los Angeles e São Francisco denunciaram: “Ocupação é crime”

Para exigir a imediata retirada do Iraque, e não a contagotas, e denunciar o sexto ano desde o início da guerra, dez mil manifestantes marcharam no sábado dia 21 sobre o Pentágono em Washington, em ato convocado por mais de mil organizações anti-invasão do país inteiro, encabeçadas pela coalizão Answer. “Tragam as tropas de volta para casa agora”, convocava a faixa que abria a manifestação, repleta de jovens e com expressivo contingente de veteranos de guerra. Outra faixa destacava: “Ocupação é Crime”. Também ocorreram manifestações com milhares na costa oeste, em Los Angeles e São Francisco. Em todas essas manifestações, os presentes repudiaram, ainda, as demissões e os despejos de milhões de pessoas, desencadeados pela crise detonada pela ganância de Wall Street: “Nós precisamos de empregos e escolas, não de guerra!”. As comunidades árabes radicadas nos EUA também participaram com destaque.

GENOCÍDIO

“Este é o lançamento do movimento anti-guerra na era pós-Bush. Bush se foi, mas a ocupação do Iraque continua, a guerra no Afeganistão está em escalada, e o povo da Palestina está vivendo sob estado de cerco”, afirmou o coordenador nacional da coalizão Answer, Brian Becker. Depois do QG da agressão ao Iraque, o Pentágono, os manifestantes se dirigiram até Cristal City, onde ficam as sedes da KBR (ex-Halliburton), Boeing, Lockheed Martin e General Dynamics, as empresas que mais lucraram com a invasão (além das petroleiras), e execradas pelos presentes como “mercadores da morte”. “Lockheed, you can’t hide, we charge you with genocide! [Lockheed, você não pode esconder, nós a acusamos de genocídio], cantaram os manifestantes.

A tropa de choque tentou, inutilmente, evitar que a multidão depositasse mais de 100 caixões simbólicos nas escadarias dessas corporações de Washington. Os caixões estavam cobertos com a bandeira dos EUA, do Iraque, Afeganistão e Palestina. Na quinta-feira – dia em que se completou os seis anos do assalto ao Iraque -, um veterano da guerra no Iraque, Forrest Schmidt, escalou o prédio do VA – o órgão federal encarregado dos assuntos dos Veteranos -, e pendurou uma enorme faixa com os dizeres: “Veteranos Dizem Não à Guerra e à Ocupação, Marcha do dia 21- Marcha ao Pentágono”. Foi preso, mas com a missão cumprida. Também coube aos veteranos estar à frente da manifestação, organizados por entidades como os Veteranos pela Paz, Veteranos do Iraque Contra a Guerra, a “Força-Tarefa” da Answer e veteranos do Vietnã.
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Em Los Angeles, milhares de pessoas foram às ruas contra a guerra, e o ato se encerrou diante do Teatro Kodak, com um dramático “die-in” – a manifestação em que os participantes se deitam no chão para simbolizar os mortos na invasão do Iraque. Entre os participantes, a Mãe pela Paz, Cindy Sheehan, cujo filho foi morto no Iraque, e o veterano da guerra do Vietnã, que ficou paralítico, Ron Kovic, cuja história ficou marcada em seu livro e no filme de mesmo nome “Nascido no 4 de Julho”. Também foram milhares os integrantes na vizinha São Francisco, apesar da truculência da polícia contra os manifestantes: “1,2,3,4, Não Queremos Sua Guerra Racista!”
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ANTONIO PIMENTA

Original em Hora do Povo

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